Publicado por: miraph | 2 junho, 2009

Ruptura com a ética e desvalorização da democracia

A possibilidade da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para 2010 está descartada. Ou, nem tanto assim? Muita especulação, muita divulgação e pouca ética tem se demonstrado nesta questão política, que envolve as candidaturas à Presidência da República, em 2010. Algo é certo: esse discurso reflete na forma de comunicação das mídias em geral. Se Lula for candidato novamente, pode gerar conflitos democráticos e comunicacionais no país.

 

dilmaDilma Roussef, atual Ministra Chefe da Casa Civil é a candidata do PT, e tem sido alvo de especulações, desde o momento em que seu nome foi anunciado como possível candidata. Agora, em decorrência da doença da Ministra recorrem ainda insinuações de ordem interrogativas sobre a veracidade do quadro clínico da então, candidata do PT. Lula também tem sido alvo de perguntas repetitivas sobre uma possível candidatura, mesmo enfatizando como resposta: “Não!”

No mesmo dia, em que a Ministra teve um mau estar e foi levada para um Hospital de São Paulo, para se submeter a exames, etc…os sites de notícias G1, Terra, UOL, destacaram fortemente a possibilidade da desistência da candidatura em função da doença. Mas baseados em que informação, em que declaração, estes sites chegaram a essas conclusões? Em nenhum deles houve levantamento de fontes, que mencionassem esse tipo de questão.

Há uma preocupação em manter a população bem informada sobre o câncer de Dilma. Por vezes, na comunicação política, a mídia deixa transparecer, que há interesse também no caso da Ministra desistir da candidatura, que a velocidade da informação alcance índices máximos. Não se sabe o grau de importância desta informação, e até que ponto ela irá favorecer alguém seja o atual governo, oposição ou ainda se a opinião pública.

A mídia deixa-se utilizar pelos joguetes políticos. A pesquisa de urna é um bom exemplo  disso, aponta Lula como preferido. Mesmo que o Presidente já tenha declarado, que não vai incentivar a mudança na Constituição para concorrer em 2010. Há toda uma questão de descrédito político, que gera as especulações. A própria mídia divulga situações em que os governos mudam de opinião. Porque Lula não poderia mudar de opinião até 2010? Ele alega que não vai concorrer a novas eleições desde 2007, e mesmo mantendo a opinião em todas as entrevistas, as quais o assunto surge em questionamento. Essa questão de mudança de opinião, também pode ser questionada como uma forma, uma variação de abordagem dos assuntos na mídia. Por vezes, as declarações são distorcidas, por vezes, a opinião do Presidente pode ser mau interpretada, gerando conflitos entre verdade e ética.

Segundo Dominique Wolton, no livro Pensar a Comunicação, política democrática requer capacidade de expressão de opiniões e comunicação entre os atores (homens políticos, jornalistas e público). Para insistir no caráter aberto dessa democracia pluralista, fala-se em democracia representativa, de participação e de opinião.

As especulações são tantas que não há necessidade de garantir a verdade na mídia. O jornalismo trata a questão com certo imediatismo lógico que não é tão lógico assim. É preciso ouvir as fontes, questionar a população. Estudar a Constituição, explicar melhor as questões que vão envolver a ação.

Não são escolhidas fontes seguras para apuração dos fatos. O que se tem veiculado na TV, nas rádios, jornais, revistas e sites são fontes que referem às fofocas midiáticas em torno da política de especulação pré-candidaturas.

Um jogo político da oposição que utiliza a mídia preguiçosa como aliada contra o PT de Lula. E a preocupação com a informação fica em segundo plano. O jornalismo voltado para ética fica em terceiro ou quarto lugar nesta lista de prioridades.

Os políticos se comportam como grandes atores, o senado é o palco do teatro. E cabe ao povo participar deste cenário como espectador. A comunicação política  teria o papel de mediadora, apresentadora, mas em verdade o que acontece, é um espetáculo de inverdades, de fofocas descabidas – focadas em uma segunda intenção bem elaborada.

Torna-se importante o papel da mídia neste contexto de informação política. Concordo com algumas idéias de Dominique Wolton, bases da comunicação política num regime de democracia. Há uma opinião pública alimentada na comunicação política, promovida pelas mídias e pelas pesquisas. A democracia do cidadão era lembrar a importância das idéias, dos argumentos, da discussão, da deliberação… Isso num caráter aberto, pluralista, abrindo espaço para a democracia de opinião.

A imprensa está muito mais voltada para o imediatismo dos fatos, das palavras ditas, de citar o que o deputado que tem lista com 191 assinaturas disse e tal. Mas em verdade, as preocupações precisariam estar mais voltadas para a análise das questões que envolvem um terceiro mandato, ou uma mudança como esta na Constituição brasileira.

lula_positivoA liberdade favorece mais a expressão do que a opinião racionalizada, obrigando a comunicação política a gerir fluxos de opiniões de valores diferentes. Esta idéia de Wolton resume a questão de respeitabilidade de ouvir as opiniões. Quando o tema é comunicação, os tipos de valores diferem de acordo com os públicos. Para os Jornalistas, a lógica do acontecimento, dos fatos, das declarações; para o público, expressar opiniões (é caso de protestos com impeachment, a negação ao referendo e as respostas nas pesquisas) e para os políticos, ela é um elemento de jogo estratégico.

É verdade que há a necessidade de se hierarquizar opiniões e que tal fato leva os jornalistas a buscarem os especialistas. Neste caso, a quem dar a palavra uma vez que os discursos são todos iguais no jornalismo? A imparcialidade deveria ser o que leva a contatar fontes e ouvi-las deixando que o receptor faça o juízo final. Não é o que acontece neste caso de indagações sobre a possibilidade de um terceiro mandato de Lula. Por isso as opiniões tornam-se muitas vezes incrédulas. A comunicação política acaba refém da opinião dos “especialistas políticos”, justamente por não utilizar bem o leque de fontes. Com isso, a expressão pública estagna enquanto cresce a competência de expressão dos peritos. Segundo Wolton, “O perito na comunicação política resolve vários problemas: saber e competência, hierarquia e igualdade, autoridade e poder. No entanto, o crescimento de seu papel é o sintoma de uma crise política.” 

Para os mais exaltados críticos de política do país fica a questão, num contexto de reeleições, temos bons, ou maus exemplos? Lembramos: Fernando Henrique foi reeleito, Lula também. Clinton foi reeleito, Bush também. A representatividade de Barack Obama demonstra o quanto é importante reestabelecer a esperança de democracia de uma nação. Isso sem citar a estratégia de comunicação da campanha de Obama. Mas a forma de comunicação deste político com os públicos é bem representativa.

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